Raça

É originária dos Pirineus, zona de acessos bastante difíceis e de terrenos pedregosos com pastagens muito pobres. Isso confere-lhe uma boa rusticidade. Suportando tanto o frio como o calor intenso, o que é comum naquela região, clima de influência Continental. Por estas razões Blonde D’Aquitaine, é uma raça que se manteve no seu estado puro até aos dias de hoje.

 

Nas condições adversas em que teve origem, a raça B.A. herdou uma enorme resistência e desenvolvimento corporal, com massa muscular abundante, comprida e arredondada, características excecionais para uma raça de carne.

 

A Blonde D’Aquitaine está, perfeitamente, adaptada às nossas exigentes condições climáticas e à realidade portuguesa de criação em regime extensivo, superando, neste contexto, as demais raças exóticas introduzidas no País.

 

São animais que se distinguem pelas suas especificidades:

  • Grande rusticidade e fácil adaptação;
  • Elevada Taxa de Fertilidade;
  • Precocidade sexual;
  • Facilidade de parto;
  • Boa capacidade maternal;
  • Bacia de grande dimensão com boa cobertura muscular;
  • Ossos finos;
  • Peito profundo;
  • Dorso horizontal muito musculado;
  • Bacia ampla, larga nos trocânteres e nos ísquiones;
  • Coxas bastante arredondadas e bem descidas;
  • Tronco de grande comprimento e formato cilíndrico, linha dorsal rectilínea de grande comprimento e amplitude;
  • Velocidade de crescimento e boa conformação;
  • Animais bastante dóceis e de fácil maneio;
  • Bons cruzamentos industriais;

As qualidades da Blonde D’Aquitaine fazem desta raça um dos melhores materiais genéticos e económicos para a produção de carne. No entanto, dada a sua “juventude”, possui uma margem de progresso ainda importante, o que lhe abre um belo futuro.

Graças às suas notáveis qualidades de criação e de produção, a Blonde D’Aquitaine apresenta um desenvolvimento importante nas últimas décadas.

Maneio reprodutivo

Hoje o conta com um efetivo de 360 animais da raça Blonde D’Aquitaine, dos quais 190 são vacas aleitantes.

Estes 360 animais encontram-se divididos em vários lotes:

  • Vacas paridas;
  • Vacas secas;
  • Touros da Casa;
  • Novilhas;
  • Novilhos Reprodutores (para venda).

 

 

Esta divisão é feita, tendo em conta as diferentes idades, fases de produção e necessidades alimentares. Assim torna-se mais fácil a elaboração de uma ração ótima (qualidade/custo) para os vários lotes, simplificando ainda o maneio na exploração.

 

A ração é elaborada na exploração, tendo como base a forragem hidropónica Monte da Torre e aproveitando as matérias-primas nela produzida, juntamente, com produtos comprados no exterior.

  Cada lote tem uma ração diferente, tendo em conta as necessidades alimentares.

 

 

 

 Sendo os produtos  de fácil escoamento, optou-se por ter em permanência o touro nas vacadas e fazer o desmame aos 6 meses de idade. Após o desmame, os machos são separados das fêmeas e colocados em parques. Conforme o seu desenvolvimento, vão sendo escolhidos, os melhores para o lote de reprodução e os outros para produção de carne, tendo em atenção os seguintes critérios:

 

 

 

  • análise dos progenitores;
  • análise dos ganhos médios diários;
  • aprumos;
  • desenvolvimento muscular;
  • desenvolvimento esquelético;
  • análise das características padrão da raça
  • temperamento.

 

Para o êxito desta seleção é importante todo o trabalho da “Equipa Monte da Torre”, quer os colaboradores que acompanham o desenvolvimento dos animais no campo, quer os administrativos, dada a importância dos registos de todos os acontecimentos reprodutivos da vacada, por forma a que o responsável técnico da exploração tenha sempre presente e atualizado o potencial genético de cada animal.

Numa 1ª fase, o   tinha como produto principal a venda de reprodutores da raça Blonde D’Aquitaine e como produto secundário, a venda de carne.

Atualmente, apostámos, também, na melhoria do produto secundário, a carne, criando uma marca própria certificada.

Com o aumento da venda e do valor da carne a seleção de animais para futuros reprodutores passou ainda a ser mais rigorosa fazendo dos reprodutores Monte da Torre… dos MELHORES DO ALENTEJO…dos MELHORES DE PORTUGAL!!!

Melhoramento e seleção

O MONTE DA TORRE sempre apostou no avanço cientifico, através da alta genética.


Começou por importar sémen de touros altamente pontuados e qualificados internacionalmente por forma a aumentar o seu efetivo através da inseminação artificial respondendo à procura significativa que se tem feito sentir.


Simultaneamente, apostou na otimização dos touros da exploração, nomeadamente no Fanfan, touro premiado internacionalmente, filho do Ustin, um dos melhores exemplares em França e no mundo, procedendo, com a colaboração e orientação de técnicos da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, às colheitas e congelamento do sémen para utilização em oportunidade.




Esta otimização das coletas de sémen permitiu ao Monte da Torre dispor de um núcleo reprodutor de alta genética.

O objetivo é rentabilizar o efetivo de vacas puras da raça Blonde d'Aquitaine otimizando as características genéticas das melhores vacas e touros.

Tudo isto consegue-se com a recolha de sémen, dos nossos melhores touros, e com o seu congelamento para utilizações futuras, bem como a importação de sémen da raça Blonde d'Aquitaine proveniente de touros consagrados pela sua genética.

Para além deste método investiu-se, também, na coleta de embriões. Retirámos embriões das nossas melhores vacas da raça Blonde d'Aquitaine e implantámos, depois, em vacas cruzadas de refugo que, deste modo, vieram a gerar animais puros.


Assim, uma vaca que em condições normais teria um vitelo por ano, tem a possibilidade de passar, apenas com um cio, a sua melhor genética para 8-10 "barrigas de aluguer", que iram produzir animais puros da melhor origem.

De referir ainda que uma vaca Blonde D’ Aquitaine pare um animal por ano o que conduziu a exploração para uma outra fase do aproveitamento genético, o transplante de embriões, que consiste em retirar embriões a uma vaca pura e implantá-los depois em vacas cruzadas, funcionando como “barrigas de aluguer”, gerando um animal puro. Tudo isto teve a supervisão/coordenação de uma equipa do Departamento de Melhoramento Animal, chefiado pelo Dr. Nestor.

O Monte da Torre vende reprodutores inscritos no Livro Genealógico Português da Raça Blonde D’Aquitaine e, procura que sejam realizados testes andrológicos a todos os machos. Os testes andrológicos são realizados pelo Dr. José Pedro Canas Simões (Direção Geral de Alimentação e Veterinária) e pelo Dr. Miguel Bliebernicht (Embriovet).


No cruzamento

Nos cruzamentos, onde o objetivo será a produção de carne, os touros  conseguem transmitir da melhor forma toda a sua capacidade para o crescimento, demonstrando-se como uns dos melhores reprodutores para produção de carne. Por outro lado as vacas não apresentam problemas após o parto, visto os bezerros nascem compridos e finos, com ganho de peso imediato.

A eficiência reprodutora é palavra de ordem quando se pretende ganhos constantes e é aqui que mais uma vez a raça Blonde D’Aquitaine se evidencia, devido à sua capacidade de cobrir um grande número de vacas no pasto.

Além disso o Blonde D’Aquitaine imprime, acentuadamente, as suas principais características nos cruzamentos, principalmente a musculatura o que faz com que os seus descendentes com um grau de sangue de ¾ para cima tenham grande procura.

As diferentes raças de bovinos são resultado da evolução dos animais no sentido de se adaptarem aos meios onde vivem, isto é, quando um efetivo reside durante muitas gerações sob as mesmas condições ambientais, consegue um elevado grau de adaptação e uniformidade.

A adaptação da raça Blonde D’Aquitaine às exigências do mercado e às alterações socioeconómicas levou ao aumento do efetivo puro e cruzado Blonde D’Aquitaine, no nosso País.

Os reprodutores  já apresentam excelentes resultados em diversos cruzamentos, cruzamento com raça Alentejana, Mertolenga, Mirandesa, Charolesa, Frísia, Saler, Brava e com vacadas industriais.

Qualidade da carne

Na raça pura o crescimento dos Blonde d’Aquitaine é notável. Desde o nascimento até um ano de vida e em condições normais, o aumento chega a ser de 1114g por dia para os machos, de 895g para as fêmeas e em condições mais intensas verificam-se crescimentos na ordem dos 1800/2000g por dia.

 

É uma raça que lidera na produção de carne porque apresenta:

  • Alto desenvolvimento muscular, dotada de um bom equilíbrio entre a estrutura óssea e o desenvolvimento muscular com alto rendimento de carcaça;
  • Excecional cobertura muscular, tanto nos posteriores como nos anteriores;
  • Carcaça de terminação precoce. Alto rendimento de carne limpa;
  • Carne magra e carcaças compridas e arredondadas;
  • Alta capacidade de conversão alimentar;
  • Elevada percentagem de carnes nobres;

Em relação à carne Blonde D’Aquitaine, embora marmorizada, apresenta um teor de gordura pouco elevada comparada com outras raças europeias. É uma raça dotada de um elevado desenvolvimento de massa muscular, possuindo o corpo longo e sempre muito arredondado o que leva à produção de carcaças pesadas. A principal característica desta raça é que toda essa massa muscular é sustentada por uma estrutura óssea forte porém fina, proporcionando um altíssimo rendimento da carcaça aquando do abate. Em animais jovens esse rendimento pode chegar a 60 - 65%, o que concede ao produtor um ótimo retorno financeiro na produção de bezerros.

 

As carcaças Blonde D’Aquitaine, com rendimento de carne > 85%, são também uma boa fonte de receita para os talhos.

Em resumo, como raça de carne, ganha toda a fileira.